este é o milionésimo post deste blogue. achava que deveria ser uma espécie de comemoração, mas sinto que este marco serviu somente como pressão extra para adiar a escrita - porque o post número mil tem peso e, por isso, teria de ser perfeito.
são quinze anos (e um mês) de blog, de publicações nem sempre regulares e com um hiato muito grande entre 2022 e 2023. revisitar o seu arquivo é interessante para ver a minha evolução, o que mudou em mim e o que se manteve. é também rico por ser um arquivo artístico para a posteridade - pelo menos enquanto houver internet e os blogues do sapo.
tentei recuperar a minha voz, através da escrita, várias vezes ao longo dos últimos dois anos. mas não é nada fácil. é sempre um desafio começar - aliás, é o desafio maior - e é outro desafio manter o ritmo, manter a rotina de escrita. os recentes exercícios de escrita, de julho e agosto, demonstram isso mesmo. para além do espaçamento de um mês entre os textos, ainda não há um terceiro, porque o fui adiando várias vezes, mesmo sentado em frente ao computador com o objetivo de escrever.
tem sido difícil recuperar a minha voz, pois sinto não haver um rumo, um propósito para o que quer que seja que diga. são pensamentos soltos que custa organizar. é um esforço inglório porque, olhando em volta, não vejo uma humanidade que valha a pena o dom da palavra. e quase não vejo um mundo que valha a pena.
deveria ir viver isolado no campo? talvez. mas, no fundo, no fundo, sou só um menino da cidade, privilegiado e cheio de queixumes. por isso, deixem-me estar, que isto há-de passar.