Rosegones

   Há uns dias, no trabalho, um colega partilhou comigo uns biscoitos de amêndoa. Inicialmente recusei, mas ao perceber que eram rosegones*, acabei por aceitar. Chegaram a ser dos meus biscoitos preferidos em criança, e já não os comia há muitos anos. Voltar a saboreá-los foi bonito porque me fez lembrar a minha avó, que dias antes teria feito 93 anos, caso ainda fosse viva. Era ela quem comprava aqueles biscoitos que depois partilhava comigo quando os acompanhava com um chá ou uma cevada. Penso que eram, talvez, os seus favoritos, pois não me lembro de faltarem na sua dispensa.

   No passado recente, não tinha feito esta associação, mas quando comi os rosegones, relacionei-os com os infelizmente poucos momentos de qualidade que passava com ela. Tenho pena de essas memórias não serem vívidas e que componham apenas a ideia vaga de comer os biscoitos sentado ou deitado no sofá da sala, com ela ali ao pé a fazer festas ao meu tio de quem ela cuidava, enquanto víamos televisão.

   E a sensação agridoce que me ficou enquanto os comia veio da ideia de que damos tudo por adquirido, de só o valorizarmos quando nos falta, o que é exacerbado na inocência infantil de não ter bem a noção do passado, do futuro e da efemeridade da vida. Sobre os biscoitos, não me souberam exatamente igual ao que guardei na memória, mas, apesar disso, foi uma viagem a um passado que visitei com carinho.

 *Ao escrever/editar este texto, percebi que “rosegones” é a nomenclatura espanhola, e que em português talvez sejam apelidados de “rosas” ou "rosetas". Confesso que sempre os conhecia da marca espanhola Dulcesol e estes que provei eram de uma marca branca de um supermercado português. 

escrito a 08.06.2025

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